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Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes

Escritores Atemporais

25/05/2026

Crônicas alagoanas

Escritores Atemporais


 A arte de escrever é muito melindrosa, carecendo, contudo, de bom conhecimento e domínio do assunto escolhido para não se tornar repetitivo e até piegas. Muitos escrevem, porém poucos o fazem bem. Não creio em um escritor de um livro só, a menos que seja sua autobiografia para se destinar a familiares, parentes e amigos, haja vista se tornarem edições pequenas. Outros literatos fazem das letras seus trabalhos literários bem meticulosos, que prendem o leitor do começo ao fim, dada sua genialidade no campo literário, cujas obras publicadas atravessam fronteiras e se perenizam no tempo, não envelhecendo; são estas as obras atemporais.
Cito, em meus parcos escritos, que o poeta nasce; o escritor se faz. Vê-se grandes escritores, mas não são capazes de escrever uma estrofe poética, porque a poesia requer raciocínio rápido e bem compilado. O poeta já nasce com o dom da poesia, que a vida pode aperfeiçoar. Não exige grande formação acadêmica, enquanto o escritor precisa de muito estudo, conhecimento e conhecer gradualmente as dez classes das palavras com certa profundidade. Talvez seja mais fácil ser poeta popular que ser um escritor.
O passado tem nomes na literatura que o vendaval dos anos não apagou. Em Alagoas tem-se Graciliano Ramos, com apenas onze livros escritos, que continuam sendo vendidos. Há poucos dias comprei São Bernardo, uma de suas obras-primas. O saudoso Manoel Bezerra e Silva escreveu vinte livros, sendo grande biógrafo de Lampião. O imortal Pontes de Miranda escreveu a monumental obra centrada no Direito, com sessenta e oito volumes, marco histórico deste alagoano na história do Direito. O cearense José de Alencar escreveu trinta livros, dentre eles Iracema, um clássico da literatura. Humberto de Campos escreveu quarenta livros, demonstrando profundo conhecimento e um português à toda prova.
Dr. Djalma de Melo Carvalho, santanense, o maior cronista de Santana do Ipanema, escreveu abrangendo todas as nuances de sua gleba natal, focando sempre os fatos populares. Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras, criada em 15 de novembro de 1896, escreveu tantas obras que parecem ter se perdido no tempo. Tobias Barreto, o grande poeta, e Olavo Bilac, príncipe dos poetas brasileiros, eram possuidores de uma grande verve poética inconfundível. Estes e tantos outros escreveram obras atemporais, tornando-se verdadeiros imortais.
Colly Flores escreveu: “Bonito não é o poeta, mas o que ele escreve.”
Alagoas tem sido terra de grandes escritores, escritoras e poetas que têm cantado e encantado a muitos com o seu saber. Possui no estado aproximadamente trinta academias de letras ativas, embora passem por certas dificuldades para se sustentarem no campo literário.
Os livros viajam com seus leitores, mostrando-lhes a beleza da vida no cotidiano da história que escrevem, dada sua fertilidade de escrever. O Marquês de Maricá escreveu: “A história é a biografia da humanidade.”

Antonio Machado  19/05/2026