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Academia Santanense de Letras, Ciências e Artes

Vicente Celestino, a bela voz de uma época por Antônio Machado

16/02/2026

Vicente Celestino, a bela voz de uma época

Vicente Celestino, a bela voz de uma época por Antônio Machado

A natureza dentro de sua sapiência infinita deixa o ser humano cada vez mais sem entender a grandeza de Deus, levando Santo Agostinho de Hipona (354-430) a escrever: “Deus é um ser tão incompreensível, e se fosse compreensível, não seria Deus”. Ele permite que nós façamos o que quisermos, porém, temos que arcar com as responsabilidades que vierem depois se para o bem ou para o mal, se as distorcemos cabe a cada um responder por seus erros, uns usam a inteligência para o bem e outros para o mal.
Os começos são sempre cheios que obstáculos, porém, cabe a cada ser envidar esforços para transpor as pedras na estrada da vida. Assim nasceu Antônio Vicente Felipe Celestino, aos 12 de setembro de 1894, filho de casal calabreses, José Celestino e Serafina Câmara Celestino, no Rio de Janeiro, sendo o casal pai de 11 filhos.
Os sacrifícios se somavam para criar uma família tão grande em vista das dificuldades existentes na época, Vicente Celestino possuía uma grande voz, cantava e encantava com um timbre de voz que superava a todos da época, e essa vocação artística o fazia mais alcandorado arrebanhando e arrastando multidões. Soube, pois, Vicente Celestino aproveitar o dom artístico que a natureza lhe deu, focando na música, seu fanal maior foi ser artista, foi compositor, ator e cantor, porém, o que de mais belo possuía era a voz. Mesmo com todos esses percalços que a vida lhe impôs, somente em 1916, conseguiu gravar seu primeiro disco com as músicas Flor do mal e Os que sofrem, dada a precariedade da época, um disco só se colocavam duas músicas, sendo uma de cada lado, posteriormente veio Perdão de um coração e Feiticeira, estava assim se abrindo as primeiras portas para o grande artista Vicente Celestino, dono de uma das mais bonitas vozes da época.
Inúmeras foram as canções que Vicente Celestino gravou em 1935 gravou Amo-te e Patativa com Gilda de Abreu, com quem mais tarde se casou. Em 1946, fez o filme O Ébrio, um dos melhores filmes da época e Coração Materno, musicadas as pressas nos teatros, as pessoas derramaram muitas lágrimas de emoção,
Infelizmente a televisão, o rádio, estão acabando e destruindo esses valores artísticos por meio da mídia.
Em 1966, assisti um show do artista Vicente Celestino na cidade de Maringá, no Estado do Paraná, foi um momento memorável, nunca vi tanta gente junta para ouvir uma só pessoa, afirmo peremptoriamente, que foi a mais bela voz que ouvi. Lembro das últimas palavras do cantor, “vou cantar o hino dos paus d’águas, O Ébrio”, ninguém ficou sentado naquele momento que guardei na alma. Soube Vicente Celestino que era dono da mais bela voz da época “envelhecer com o coração jovem e uma bela voz” escreveu Herman Melville (1819-1891). Entretanto, a vida lhe cansou a alma e consequentemente o corpo, vindo a falecer no dia 23 de agosto de 1968, deixando um legado que ainda hoje continua vivo.


Antônio Machado