✩1886 †1952
O cônego José Bulhões era filho do casal Francisco Fernandes Bulhões e Sofia de Melo Bulhões. Nasceu na vila de Entre Montes, no dia 3.06.1886. Estudou no seminário de N. S. da Assunção, onde chegou em fevereiro de 1903, ainda funcionando em Marechal Deodoro. Foi ordenado por D. Manoel Antônio de Oliveira Lopes, no dia 8.12.1912. Celebrou a primeira missa na capela do Senhor do Bonfim, no bairro do Poço, em Maceió.
Foi vigário substituto de Traipu, em 1914, e pároco encarregado de Sertãozinho(Major Isidoro), de 31.12.1918 a 1932, conforme provisão do bispo diocesano D. Jonas de Araújo Batinga. Em 26.02.1917, foi designado coadjutor do monsenhor Manoel Capitulino de Carvalho.
O primeiro casamento que fez no Poço das Trincheiras foi o de João Aquino Monteiro(João de Fina) com Laura da Rocha em 03.05.1917. (Tobias Medeiros)
Assumiu o cargo de vigário em 26.01.1919. Residiu no casarão situado à direta do riacho Camoxinga. Parecia um hotel de tanto hospedar parentes e amigos. Foi um sacerdote que ajudou famílias e muitos jovens a conseguirem emprego. Aconselhava-os para terem vida digna. As irmãs Maroquita(Maria) e Liquinha(Maria Angélica) moravam com ele. Criou o Sílvio, filho de Corisco (Cristino Gomes da Silva Cleto) e Dadá (Sérgia Ribeiro da Silva).
Paroquiou ainda em Mata Grande, de 1935 a 1937 e de 1946 a 1947. Em Penedo, foi coadjutor em 1913. Foi vigário encarregado de Traipú. O padre era generoso, de gênio forte, impaciente com os paroquianos, mas depois de alguma discussão, tornava-se calmo e procurava como pastor advertir a pessoa. O escritor Luiz Nogueira escreveu sobre ele: Absurdo? Era-o de fato. ( Tobias Medeiros)
E quando precisava dar alguma lição de moral para algum herege suas palavras terminavam sempre assim:
-Compreendeu.... Compreendeu... Compreendeu.... Seu safado?
Se compreendido, a complacência de pastor de almas mostrava, de súbito, o lado bom de seu coração. Seu passo seguinte era o de recuperar o herege.
Sempre admirei o padre Bulhões, amigo de minha família, compadre de meu pai Sebastião Medeiros Wanderley. Batizou-me e me deu a Comunhão pela primeira vez. Era culto e homem de fé, dedicado à Igreja. Faleceu no dia 17.10.1952. No dia seguinte, a Paróquia consternada prestou-lhe a última homenagem.
(Tobias Medeiros